O impacto das decisões financeiras na sustentabilidade pessoal e familiar
De acordo com o Banco de Portugal, em março de 2024, o endividamento dos particulares atingiu um novo máximo histórico: 151 mil milhões de euros. Estes números não descansam ninguém, especialmente os consumidores envolvidos, que acabam por contribuir para situações de marginalização social.
Apesar de serem importantes ferramentas de financiamento, os créditos, quando não são bem escolhidos e geridos, podem tornar-se os maiores aliados do sobreendividamento, daí ser necessário uma aposta cada vez mais forte e assertiva na literacia financeira dos consumidores.
Pela nossa experiência no aconselhamento e procura das soluções financeiras que melhor se adequam às suas necessidades e possibilidades, sentimos ser dever da CONFFIA contribuir para a promoção da literacia financeira dos consumidores portugueses.
Em linha com o que acabamos de dizer, ao longo deste artigo, vamos procurar explicar-lhe o impacto das decisões de cariz financeiro na sustentabilidade pessoal e familiar.
O Impacto das Decisões Financeiras na Sustentabilidade Pessoal e Familiar
No momento em que decidimos contratualizar um crédito ou investir num produto financeiro, existe sempre um risco associado e obrigações que, contratualmente, teremos de cumprir.
O problema surge, no entanto, uns passos antes de assinarmos o contrato.
Quando não tomamos em atenção a nossa taxa de esforço, não fazemos comparações entre diferentes propostas, não levamos em conta a finalidade do financiamento que contratamos ou não pedimos a ajuda de um consultor financeiro/intermediário de crédito, a probabilidade de cairmos em sobreendividamento aumenta exponencialmente.
Apesar de todos estes fatores serem de extrema importância, a taxa de esforço surge como um dos principais aferidores do impacto de uma decisão financeira na sua sustentabilidade pessoal e familiar.
A Taxa de Esforço
Para melhor perceber como utilizar a taxa de esforço a seu favor, vamos a um exemplo prático:
Imaginemos que pretendemos contratar um crédito automóvel de 10 mil euros com prazo de reembolso de 36 meses (TAN de 7,50% e TAEG de 10,78%), que nos oferece uma prestação mensal de 350 euros.
Como o rendimento mensal do nosso agregado familiar é de 1800 euros, neste caso, a Taxa de Esforço será de:
Taxa de Esforço: Encargos financeiros / Rendimento Líquido Total do Agregado x 100
A Nossa Taxa de Esforço: 350/1800 x 100 = 19,4%
Esta percentagem de 19,4% significa que a contratação deste crédito implicará que, até ao fim do prazo de reembolso, um quinto do seu rendimento mensal será alocado para o pagamento da prestação de crédito.
Agora imaginemos que, ao contrário de um prazo de reembolso de 36 meses, decidimos optar por um prazo de 120 meses.
Neste caso, a valor da prestação mensal será mais baixo (130 euros), mas apresentará taxas de juro mais elevadas (TAN de 9,20% e TAEG de 10,95%) para compensar o prazo de pagamento mais alargado.
Com este valor de prestação mensal, o impacto do crédito nas nossas finanças pessoais será de:
Taxa de Esforço com um prazo de reembolso de 120 meses: 130/1800 x 100 = 7,22%
TAN, TAEG e MTIC
Como vemos, o impacto financeiro se escolhermos um prazo de pagamento mais alargado será muito menor, mas neste cálculo entram ainda outros fatores, como as taxas de juro (TAN e TAEG) e o MTIC, siglas a que deve prestar toda a atenção quando estiver a utilizar os simuladores online de crédito para simular a sua prestação mensal.
Começando pelo MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor), esta sigla diz respeito ao valor total que terá de desembolsar para pagar o crédito na íntegra.
Voltamos aos exemplos anteriores. No caso de um financiamento de 10 mil euros e prazo de reembolso de 36 meses, o MTIC seria de 11600 euros enquanto no segundo caso, este valor subiria para perto dos 16 mil euros.
Traduzido, isto significa que um prazo de reembolso mais apertado vai permitir-nos pagar menos pelo crédito, mas obrigará ao pagamento de uma prestação mensal mais alta.
Já no que diz respeito às taxas de juro, se consultarmos o dicionário financeiro, verificamos que a TAN e a TAEG significam:
– TAN (Taxa Anual Nominal): esta taxa, obrigatória em todos os contratos de crédito, diz respeito ao “preço do dinheiro”, isto é, o juro do empréstimo, e resulta da soma do Spread com o Indexante (taxa de juro Euribor, por norma).
– TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global): além de incluir os juros totais do empréstimo, a TAEG inclui ainda todas as despesas associadas à contratação (impostos, comissões, etc.) sendo, por isso, uma importante ferramenta na comparação entre diferentes soluções de crédito.
Assim, no geral, uma TAEG mais baixa significa que irá pagar menos pelo crédito e vice-versa.
Conclusão
Como vemos, para ajudá-lo a diminuir os encargos decorrentes de uma decisão financeira e, deste modo, manter-se a salvo do sobreendividamento, é importante que, nas necessárias comparações entre diferentes propostas de crédito, calcule a sua taxa de esforço e esteja atento à TAN, TAEG e MTIC para conseguir o melhor financiamento para si e para os seus.
Ainda a este respeito, com o recurso a uma consultora financeira, vai poder usufruir não só de um acompanhamento próximo durante todo o processo de contratação, como a possibilidade de aceder às soluções financeiras que melhor se adequam às suas necessidades e possibilidades financeiras.

